sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Entre Rosh Hashaná e Yom Kippur/2011

Caros amigos,

Tenho recebido vários e-mails sobre possíveis visitas ao Cemitério Israelita de Inhaúma.
No dia 2/10/2011, domingo entre Rosh Hashaná e Yom Kippur, data em que os judeus visitam seus mortos, o Cemitério Israelita de Inhaúma estará aberto aos visitantes.
Eu devo estar lá por volta das 11h.
Segue abaixo um mapa. O endereço é Rua Piragipe, 99
Obrigada
===============
Segue um roteiro saindo da Rua Voluntários da Pátria e chegando ao Cemitério, de carro:


R. Voluntários da Pátria, 455 - Humaitá
Rio de Janeiro - RJ, 22270-000, Brasil
1. Siga na direção leste na R. Voluntários da Pátria em direção à R. Cap. Salomão
190 m
2. Vire à esquerda na R. Conde de Irajá
300 m
3. Vire à esquerda na R. São Clemente
24 m
4. Continue para R. Humaitá
1,2 km
5. Vire à direita na R. Fr. Veloso
160 m
6. Continue para Av. Vital Brasil
240 m
7. Continue para Tún. André Rebouças
3,2 km
8. Continue para Vevd. Eng. Freyssinet
2,1 km
9. Continue para Vevd. Prof. Rufino de Almeida Pizarro
4,0 km
10. Continue para Ln. Vermelha/Av. Pres. João Goulart
2,1 km
11. Pegue a saída em direção a Av. Seis
150 m
12. Mantenha-se à direita na bifurcação para continuar em direção à Av. Seis
230 m
13. Mantenha-se à esquerda na bifurcação para continuar em direção à Av. Seis
400 m
14. Vire à esquerda na Av. Seis
400 m
15. Continue para Av. Bento Ribeiro Dantas
1,1 km
16. Continue para Vd. de Manguinhos
400 m
17. Continue para Av. Gov. Carlos Lacerda/Ln. Amarela
4,2 km
18. Pegue a saída em direção a R. José dos Reis
290 m
19. Vire à direita na R. José dos Reis
350 m
20. Vire à direita na R. Piragibe
O destino estará à esquerda
170 m
R. Piragibe, 99 - Inhaúma
Rio de Janeiro - RJ, 20760-110, Brasil

terça-feira, 24 de maio de 2011

Soberba!



Fierj - Federação Israelita do Estado do RJ - ignora o tombamento do Cemitério Israelita de Inhaúma, decretado pela Prefeitura do Rio, e continua afirmando que fará ali novos sepultamentos!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

''Polacas'' do Rio ganham nome em cemitério

A porta está trancada, o repórter toca a campainha e é recebido pela funcionária que cuida da limpeza do Cemitério Israelita de Inhaúma, na zona norte do Rio. "É muito difícil vir alguém aqui", ela comenta. "Não é igual a um cemitério comum. Ninguém visita as polacas." Fundado em 1916 por imigrantes polonesas marginalizadas por serem prostitutas, o local abriga cerca de 800 túmulos. Após décadas de deterioração e esquecimento, as sepulturas começaram a ser reformadas no ano passado. Segundo o presidente do Cemitério Comunal Israelita do Caju, Jayme Salomão, que também administra o de Inhaúma, 95% dos túmulos já estão identificados. Além da pintura, eles receberam placa branca de mármore com estrela de Davi no centro, o nome de quem está ali sepultado, a data do óbito e o número que representa na cronologia do cemitério.
Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE
Inhaúma. 95% dos túmulos já estão identificados no local, que foi tombado pela prefeitura carioca em outubro do ano passado
Não houve divulgação. A iniciativa ocorre 15 anos após a polêmica suscitada pela publicação do livro Baile de máscaras: mulheres judias e prostituição. As polacas e suas associações de ajuda mútua (Editora Imago), fruto de dissertação de mestrado da historiadora Beatriz Kushnir, atual diretora do Arquivo Geral da Cidade.
Segundo ela, em 27 de outubro o prefeito Eduardo Paes assinou decreto determinando tombamento definitivo do cemitério. Segundo o documento, "quaisquer intervenções físicas deverão ser previamente aprovadas pelo Conselho de Proteção do Patrimônio Cultural". Nas justificativas do decreto, o local é considerado "marco particular no âmbito dos campos santos da cidade por ter sido criado por mulheres que, em um ambiente hostil, se uniram para garantir sua sobrevivência". Um dos objetivos da decisão foi justamente "garantir a essas mulheres uma memória que não as condene eternamente".
Salomão atribui a demora ao "trabalho minucioso" para levantar os nomes e diz que foram gastos R$ 300 mil na reforma. Agora, ele pretende investir "mais R$ 1 milhão" em um polêmico "projeto de revitalização". Para isso, vai pedir à prefeitura a reativação do cemitério. O objetivo é que a eventual venda de novos túmulos gere receita para bancar a manutenção. Cerca de metade do terreno está livre, avalia.
Salomão insiste na ideia - criticada por Beatriz - de separar os túmulos das polacas por "cerca viva". "É para preservar a história do passado sem chocar. Se juntar tudo, quem for ao cemitério não vai entender nada." Segundo ele, a cerca receberia plantas de 30 a 50 centímetros. Seria uma forma de atender à ala judaica mais ortodoxa, que defende enterro de prostitutas e suicidas junto ao muro de cemitérios. Salomão nega. Segundo ele, a ideia é "criar um museu vivo". "Hoje, aquilo fica fechado o ano inteiro. Queremos que os túmulos sejam visitados. É um lugar sagrado. O objetivo é preservar."
Sítio histórico. Para Beatriz, trata-se de tentativa de "expurgo" da memória dessas mulheres. "Eles podem fazer tudo o que for necessário apenas para manter como sítio histórico. Não podem fazer mais nada para enterrar outras pessoas." Localizado na Rua Piragibe, 99, o cemitério fica colado na Favela do Rato Molhado. "Tem milícia ali. Tirando eu, duvido que outro judeu queira ser enterrado lá", diz Beatriz.
Vice-presidente da Federação Israelita do Estado até novembro e presidente da sinagoga Beyruthense, Salomão reconhece que há preconceito entre representantes da comunidade judaica, mas afirma que não há respaldo institucional para isso. "Pode ser que algumas pessoas, sim, mas eu acredito que não exista preconceito. Se existisse, não falaríamos em reativação do cemitério. A ideia da revitalização é dar continuidade."
A historiadora defende arborização e preservação do local como está. Para ela, a reforma foi uma vitória. "Mas fico com pena de não ter sido como em São Paulo (veja abaixo), onde a comunidade judaica foi muito participativa, não se fez nada às escondidas, houve inauguração das lápides. Aqui tem muito mais caráter de imposição por circunstâncias do que vontade própria."
O livro de Beatriz contabiliza 797 sepulturas. Na ocasião - a dissertação foi defendida em 1994 e o livro, lançado dois anos depois -, ela localizou duas descendentes de polacas. "Muitos não sabem ou preferem não se meter nisso", conta. Segundo a Federação, foram localizadas 807 durante a reforma. Criado a partir de um modelo associativo, o cemitério de Inhaúma abriga corpos de mulheres, homens e crianças. "Não é porque foram prostitutas que elas não eram casadas. E não necessariamente o marido era cafetão; elas também eram cafetinas (donas de prostíbulos)", explica Beatriz. 



Flávia Tavares - O Estado de S.Paulo
As polacas foram numerosas em São Paulo. Seus corpos eram enterrados no Cemitério Israelita de Santana, o Chora Menino, desapropriado na década de 1970. Os restos mortais foram então levados para o Cemitério Israelita do Butantã. Os corpos lá ficaram, separados dos demais, sob lápides sem identificação. Em 2000, a Sociedade Cemitério Israelita de São Paulo colocou nomes nas lápides, em cerimônia comandada pelo rabino Henry Sobel. Ele também liderou movimento para que a história das polacas fosse ensinada aos jovens judeus. Parte da comunidade considera hoje que elas foram enganadas ao vir para o Brasil com promessa de vida melhor - a prostituição foi o último recurso. 


sexta-feira, 22 de abril de 2011

Jornal do Brasil - País - Um século depois de morrer, prostitutas polonesas fazem valer seus direitos

http://www.jb.com.br/pais/noticias/2011/04/13/um-seculo-depois-de-morrer-prostitutas-polonesas-fazem-valer-seus-direitos/

Jorge Lourenço
Prostitutas judias vencem queda de braço póstuma 
pelo reconhecimento após cem anos de exclusão no 
cemitério israelita de Inhaúma





Dia 10 de outubro de 1906. Rejeitadas pela comunidade judaica por terem se tornado prostitutas, e sem direito nem mesmo a um funeral tradicional de sua religião, as imigrantes polonesas fundam uma das primeiras associações filantrópicas feministas das quais se tem registro no Brasil: o Cemitério Israelita de Inhaúma, destino final das mulheres marginalizadas pela comunidade judaica.
Depois de mais de 100 anos de esquecimento, e de uma tentativa frustrada da Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj) de tomar para si o espaço de Inhaúma, segregando-as mais uma vez, elas finalmente conquistaram seus direitos. Sem alarde, a Fierj está reformando os túmulos e colocando os nomes nas sepulturas do cemitério, que ficou abandonado por décadas. 
– O que a Federação Israelita queria, a princípio, era colocar uma cerca-viva para isolar as prostitutas e enterrar seus mortos ali – conta Beatriz Kushnir, diretora do Arquivo Geral do Rio de Janeiro. – Com o tombamento do cemitério, no ano passado, conseguimos impedir que eles destinassem aquelas mulheres ao esquecimento. Finalmente reconheceram este cemitério e estão reformado o lugar, mas bem na surdina.


Tombamento prejudica reforma do cemitério
A razão pela qual a Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj) decidiu tentar incorporar Inhaúma aos seus cemitérios é simples: as regras estritas para enterrar judeus. De acordo com os preceitos da religião judaica, apenas uma pessoa pode ser enterrada por túmulo. Por problemas de espaço, a regra foi flexibilizada para apenas três por túmulo. Mesmo assim, a rápida lotação dos cemitérios judeus é um dos grandes problemas enfrentados pela instituição.
– É verdade que consideramos a possibilidade de fazer novas sepulturas em Inhaúma. Há muito espaço vazio lá – admite o Presidente do Cemitério Comunal Israelita do Caju, Jayme Salim Salomão. – Mas nós nunca pensamos em fazer uma cerca para separar as prostitutas, como diz a Beatriz Kushnir. O que desejávamos, era separar uma parte do cemitério para criar um museu vivo.
Administrado pela Federação Israelita, o Cemitério de Inhaúma foi tombado logo que a comunidade judaica começou a considerar a possibilidade de enterrar seus mortos ali.
– Não acho que seria justo com a memória das prostitutas polonesas permitir que outras pessoas sejam enterradas aqui – alega Beatriz Kushnir. Autora do livro “Baile de Máscaras”, que conta a história das meretrizes judias. 
– Elas adquiriram aquele terreno por conta própria, após serem completamente abandonadas.
Apesar da suposta conquista, Jayme Salim Salomão acredita que o tombamento prejudica as próprias prostitutas.
– Tomamos a iniciativa de pintar as sepulturas e colocar nomes dos túmulos apagados, mas não podemos ir além – lamenta.
– Como o local está tombado, não podemos fazer grandes reformas. Quem perde é o cemitério. Antes, aquele lugar estava destruído. Como fica bem ao lado da Favela do Alemão, as pessoas pulavam o muro para roubar ornamentos dos túmulos.


“A Fierj é
retrógrada e
autoritária”,
diz Beatriz


Segregadas quando chegaram ao Brasil, no final do século XIX, tanto por serem judias quanto por serem prostitutas, as polacas tiveram forte impacto sobre a cultura carioca. A famosa Vila Mimosa, área tradicional de meretrício da cidade, foi fundada por elas.
A história, no entanto, não é exclusividade do Rio de Janeiro. Casos semelhantes de prostitutas judias que se uniram para conseguir um enterro digno se repetem no mundo inteiro. A diferença, explica Beatriz Kushnir, é que as demais comunidades judaicas abraçaram a causa das prostitutas.
– A Federação Israelita do Rio de Janeiro é retrógrada e autoritária. Eles estão fazendo a restauração sem alarde justamente porque não aceitam as prostitutas como parte da comunidade – garante a historiadora.
– Em São Paulo, por exemplo, a federação israelita fez comemorações quando incorporou o cemitério das prostitutas de lá. A comunidade judaica realmente compareceu à comemoração, visitou os túmulos. Tudo muito bonito. Aqui, tudo é feito às escuras. O Rio não abraçou a causa das polacas.
Para Beatriz, o tombamento não aconteceu apenas para impedir que outras pessoas fossem sepultadas no local, cujo último enterro foi no começo da década de 70. 


Fazem parte do
807 Cemitério de
sepulturas Inhaúma, 
pivô da
polêmica

– Aquele lugar representa a luta de mulheres que se uniram contra a opressão no começo do século passado, bem antes das primeiras manifestações feministas – ressalta a historiadora.
– É uma história que não pode ser esquecida pela cidade.


Alternativa

Sem poder enterrar seus moros em Inhaúma, a Federação Isaelita do Rio de Janeiro já busca outras opções para driblar a superlotação dos seus cemitérios. Segundo Jayme Salim Salomão, um terreno anexo ao Cemitério do Caju deve ser incorporado em breve.
– Estamos arrumando os úlimos detalhes para comprar este novo terreno, que deve resolver o problema da falta de espaço por algum tempo.
Entusiasta da reforma em Inhaúma, o dirigente da Fierj não crê que a comunidade judaica tenha alguma dívida com as polacas e não vê verdade nas acusações de Beatriz.
– Acho que não existe dívida com elas, como dizem. Será que não deveria ser o inverso, já que agora estamos ajudando-as?

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O (grato) fim de um ciclo!


Clique na foto e tenha uma visão em 360°
Fotos W.Fajardo


Quarenta e dois anos separam a primeira vez que fui ao Cemitério Israelita de Inhaúma e o dia de hoje. Depois de uma longa e tortuosa caminhada, recheada de inúmeros bons encontros e parceiros, adentro ao Cemitério das polacas e vejo, sobre algumas lápides, uma placa de mármore branca – com uma estrela de Davi ao centro, o nome de quem ali está sepultado, a data do óbito e o número que este sepultamento representa na cronologia do cemitério.

Um ciclo chega ao fim, felizmente e a identidade daquelas pessoas está sendo respeitada, com este restauro. Isso é o mais importante! Demarca-se assim, o término de uma longa batalha. Podemos nos considerar vencedoras, um trabalho acadêmico rompeu os muros da universidade e transformou uma dada realidade.

É claro que toda esta trajetória expõe e expôs as dificuldades e intransigências da direção (retrograda e autoritária) da Federação Israelita do Estado do RJ e da Sociedade Cemitério Comunal do Cajú. Um processo que poderia ter sido agregador, como em São Paulo, está se realizando no silêncio de quem se sentiu obrigado a restaurar e preservar, sem novos usos, um lugar que preferia ver esquecido.
Mas este sentimento é o que menos me importa. O fundamental são os que estão enterrados na Rua Piragibe, 99. Tornaremos sem dúvida, aquele espaço mais acolhedor!   




P.S.: Coluna do Ancelmo (Jornal O Globo, 23/02/2011).

Com duas prostitutas alemãs, Karolina Leppert e Helga Bilitewski, da ONG Hydra, de Berlim, a brasileira Gabriela Leite, da Daspu, visita hoje o antigo Cemitério Israelita de Inhaúma. 
Ali, como contou a historiadora Beatriz Kushnir, 797 polacas, seus filhos e alguns cafetões estão enterrados como “judeus segregados, porque prostituídos”.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Sobre as Prostitutas de Inhaúma, por Arnaldo Bloch – Especial para Rua Judaica

Agradeço ao Arnaldo Bloch e ao Osias Wurman pelo espaço dedicado à questão.
"Confesso que até agora não entendi muito bem o bafafá acerca da questão do cemitério de Inhaúma, onde se reivindica a restauração das lápides das prostitutas judias ali enterradas, vulgo "polacas". Pelo que ouvi falar, no cemitério do Butantã de São Paulo e na Chevra Kadisha paulista a questão já foi superada, as lápides restauradas e as identidades exibidas. Compreendo que uns e outros podem se ofender, na crença a meu ver não muito judaica de que há almas que não merecem ser lembradas por terem tido um destino menos feliz. Como se, entre todos os cidadãos judeus aparentemente ilibados, sepultos em mármores ornados, só houvesse almas boas e honestas... ou que, entre nossos homens e mulheres, patrícios e patrícias, bem casados ou bem casadas, não haverá, sempre, aquelas ou aqueles que tenham corrompido sua alma para unir-se em matrimônio por interesses que não dizem nenhum respeito ao amor. Os defeitos, as perversões, os percalços, são de todos, não à toa temos o Yom Kippur. Por isso digo sim e me engajo: que venham à luz os nomes de nossas prostitutas. O Eterno é um, e é para todos." (Grifos meus)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Programa do Jô


Hoje, 3/11/10, no Programa do Jô, a pauta é: o coreógrafo Ivaldo Bertazzo e a historiadora Beatriz Kushnir, que fez uma dissertação de mestrado sobre as polacas, jovens judias que vieram para o Rio de Janeiro no começo do século passado e acabaram se prostituindo. Desde então, a autora luta pela preservação do Cemitério Israelita de Inhaúma, onde a maioria está enterrada.




quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Tombamento Definitivo do Cemitério Israelita de Inhaúma

DECRETO Nº 32993 DE 27 DE OUTUBRO DE 2010.

Determina o tombamento definitivo do Cemitério Israelita de Inhaúma situado à rua Piragibe, 99, no bairro de Inhaúma.

O PREFEITO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, no uso de suas atribuições legais e,

CONSIDERANDO a importância dos cemitérios como registro da evolução histórica e social da cidade do Rio de Janeiro;

CONSIDERANDO que o monumento aos mortos é uma importante manifestação da memória coletiva;

CONSIDERANDO que o Cemitério Israelita de Inhaúma é um marco particular no âmbito dos campos santos da cidade do Rio de Janeiro por ter sido criado por mulheres que em um ambiente hostil se uniram para garantir sua sobrevivência;

CONSIDERANDO a importância de garantir a estas mulheres uma memória que não as condene eternamente;

CONSIDERANDO que a sua fundação em 1916, pela Associação Beneficente Funerária e Religiosa Israelita, representou um papel social relevante para uma parcela da população de imigrantes israelitas no país;

CONSIDERANDO a necessidade de salvaguardá-lo de ações que prejudiquem sua integridade;
CONSIDERANDO os estudos elaborados pelos órgãos executivos do Patrimônio Cultural;
CONSIDERANDO o pronunciamento do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro, que consta no processo 01/002.156/2007;

DECRETA:

Art. 1.º Fica tombado definitivamente, nos termos do Art. 1º da Lei 166 de 27 de maio de 1980, o Cemitério Israelita de Inhaúma, situado à Rua Piragibe 99, no bairro de Inhaúma;

Art.2.º Quaisquer intervenções físicas a serem realizadas no referido imóvel deverão ser previamente aprovadas pelo Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro;

Art. 3.º No caso de alteração ou demolição ilegal ou, ainda, sinistro no bem tombado, o órgão de tutela poderá estabelecer a obrigatoriedade de sua recomposição ou reconstrução, reproduzindo as características originais, conforme o disposto no artigo 133 da Lei Complementar nº 16, de 04/06/92 (Plano Diretor Decenal do Rio de Janeiro);

Art. 4.º Este decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Rio de Janeiro, 27 de outubro de 2010 ; 446o ano de fundação da Cidade.

EDUARDO PAES

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Por uma causa: Restore and Preserve



Criei esse boton para sensibilizar a nova gestão da Federação Israelita do Estado do RJ (FIERJ) a restaurar e preservar o Cemitério Israelita de Inhaúma, das polacas.

Agradeço se puder usar por um tempo e principalmente, se puder apoiar e divulgar esta causa.

Para anexá-lo a sua foto do perfil do Facebook, twitter, etc., click aqui: Restore and Preserve

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Cubatão reconhece importância histórica de Cemitério Israelita

"Cubatão resgata a memória da imigração judaica, definitivamente, na semana que vem. O Cemitério Israelita, abrigado dentro do Cemitério Municipal será tombado como patrimônio histórico da cidade, através da assinatura do decreto pela Prefeita Marcia Rosa. A solenidade será dia 25/8 (quarta-feira) às 14h, e logo após, será realizada uma visita até o Cemitério Israelita. Este promete ser o pontapé inicial de um processo que não se limita à uma lei, mas abrange também um programa de educação patrimonial, com reabertura do espaço para visitação pública com monitores e inclusão em roteiros históricos.
O tombamento é resultado do esforço do Condepac, Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico de Cubatão e tem total apoio da Chevra Kadisha, Associação que administra os cemitérios israelitas no estado. O local tem 800 metros quadrados e 75 sepulturas feitas em granito (55 de mulheres e 20 de homens), sendo que a lápide mais antiga data de 1924 e a mais recente é de 1966. A curiosidade habita no fato de lá estarem enterradas em sua maioria, as chamadas “polacas”, mulheres judias que no início do século XX deixaram o leste europeu atingido pelo anti-semitismo em direção à América com a promessa de casamentos, mas acabaram sendo exploradas na região.
Este será o segundo cemitério israelita considerado patrimônio histórico no Brasil e o primeiro tombado definitivamente. O Cemitério Israelita de Inahúma, no Rio de Janeiro, foi tombado provisoriamente em 2007, segundo Beatriz Kushnir, historiadora e Diretora do Arquivo Geral da Prefeitura carioca. Ela também estará aqui em Cubatão para participar da assinatura do decreto. Beatriz escreveu o livro "Baile de Máscaras: mulheres judias e prostituição" em que defende o resgate cultural da história dessas mulheres. O "campo-santo" de Cubatão também está presente nas páginas da publicação.
Há 22 anos debruçada e envolvida por essas trajetórias, Beatriz Kushnir recebeu com entusiasmo o convite para estar presente na assinatura do decreto e considerou ótima a possibilidade de abertura do Cemitério à visitação pública. "Achei fantástico! É uma ideia a ser copiada por vários outros cemitérios pelo país, independentemente da peculiaridade que possuem. Fiz um passeio destes em New Orleans, nos Estados Unidos, e em Praga, na Europa, e foram muito interessantes nos aspectos de arquitetura e de traços culturais", comentou a historiadora.

Beatriz Kushnir conta que em 1988, quando a pesquisa sobre as "polacas", era um tabu mencionar essa história. Interessante é verificar como um trabalho acadêmico pôde interferir e transformar uma realidade. Mas, segundo Beatriz, "conhecer as identidades dessas mulheres e das outras pessoas sepultadas nesses 'campos-santos' só faz sentido quando sabemos de quem estamos falando. Mais do que apenas nomes, são histórias de vida. Repito, então, as palavras do rabino Sobel, torcendo para que estas sejam palavras proféticas em Cubatão: rezamos hoje 'El malê rachamim' em memória das mulheres sepultadas nesta área do cemitério. Que cada uma delas descanse em paz", encerra".

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Cemitério Israelita será tombado patrimônio histórico de Cubatão


"O Cemitério Israelita de Cubatão já tem data para ser considerado, oficialmente, patrimônio histórico da cidade: o próximo 25 de agosto. Neste dia, às 14h, a Prefeita Márcia Rosa assinará, em seu Gabinete, o decreto que reconhece o espaço pela sua importância. A informação foi divulgada nesta terça-feira (10/8) durante reunião do Condepac, Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural do município.
O local absorve uma história centenária que nos remete a um capítulo pouco lembrado do passado: a imigração judaica. "O tombamento por si só garante apenas o reconhecimento, mas a idéia é implantar um Projeto de Educação Patrimonial no Cemitério Israelita, com a reabertura do espaço para visitação pública com monitores e inclusão em roteiros históricos", afirmou Welington Borges, presidente do Condepac. Segundo ele, a idéia foi completamente apoiada pela direção da Associação Israelita Shevra Kadisha, que administra os cemitérios israelitas no estado. Representantes da Associação estarão inclusive, presentes no dia da assinatura do decreto.
Um espaço cercado de mistérios e curiosidades – construído dentro do Cemitério Municipal de Cubatão, o Cemitério Israelita tem 800 metros quadrados e 75 sepulturas feitas em granito (55 de mulheres e 20 de homens). A lápide mais antiga data de 1924 e a mais recente é de 1966. A curiosidade habita no fato de lá estarem enterradas em sua maioria, as chamadas “polacas”, mulheres judias que no início do século XX deixaram o leste europeu atingido pelo anti-semitismo em direção à América com a promessa de casamentos, mas acabaram sendo exploradas na região. “É brilhante a idéia de conservar os ‘campos-santos’ como patrimônios históricos, pois reconta a história da imigração judaica, e reconhece o trabalho de preservação feito por nós”, afirmou o vice-presidente da Associação Shevra Kadisha, Rubens Muszkat. A Associação assumiu o campo-santo de Cubatão em 1996, quando realizou obras de restauração do local, incluindo o conserto e recuperação dos matzeivot (túmulos), ajardinamento, pavimentação das ruas, instalação de lavatório, colocação de placa indicativa no portão e de local apropriado para o acendimento de velas".

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Programa 3 a 1, TV Brasil

Programa exibido no dia 27 de fevereiro de 2010
Tema: Prostituição.
Debatedores: Beatriz Kushnir, historiadora e diretora do Arquivo Geral do Rio de Janeiro;
                     Joel Zito, cineasta, e
                     Gabriela Leite, prostituta aposentada.

Apresentação: Luiz Carlos Azedo