sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Entre Rosh Hashaná e Yom Kippur/2011

Caros amigos,

Tenho recebido vários e-mails sobre possíveis visitas ao Cemitério Israelita de Inhaúma.
No dia 2/10/2011, domingo entre Rosh Hashaná e Yom Kippur, data em que os judeus visitam seus mortos, o Cemitério Israelita de Inhaúma estará aberto aos visitantes.
Eu devo estar lá por volta das 11h.
Segue abaixo um mapa. O endereço é Rua Piragipe, 99
Obrigada
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Segue um roteiro saindo da Rua Voluntários da Pátria e chegando ao Cemitério, de carro:


R. Voluntários da Pátria, 455 - Humaitá
Rio de Janeiro - RJ, 22270-000, Brasil
1. Siga na direção leste na R. Voluntários da Pátria em direção à R. Cap. Salomão
190 m
2. Vire à esquerda na R. Conde de Irajá
300 m
3. Vire à esquerda na R. São Clemente
24 m
4. Continue para R. Humaitá
1,2 km
5. Vire à direita na R. Fr. Veloso
160 m
6. Continue para Av. Vital Brasil
240 m
7. Continue para Tún. André Rebouças
3,2 km
8. Continue para Vevd. Eng. Freyssinet
2,1 km
9. Continue para Vevd. Prof. Rufino de Almeida Pizarro
4,0 km
10. Continue para Ln. Vermelha/Av. Pres. João Goulart
2,1 km
11. Pegue a saída em direção a Av. Seis
150 m
12. Mantenha-se à direita na bifurcação para continuar em direção à Av. Seis
230 m
13. Mantenha-se à esquerda na bifurcação para continuar em direção à Av. Seis
400 m
14. Vire à esquerda na Av. Seis
400 m
15. Continue para Av. Bento Ribeiro Dantas
1,1 km
16. Continue para Vd. de Manguinhos
400 m
17. Continue para Av. Gov. Carlos Lacerda/Ln. Amarela
4,2 km
18. Pegue a saída em direção a R. José dos Reis
290 m
19. Vire à direita na R. José dos Reis
350 m
20. Vire à direita na R. Piragibe
O destino estará à esquerda
170 m
R. Piragibe, 99 - Inhaúma
Rio de Janeiro - RJ, 20760-110, Brasil

terça-feira, 24 de maio de 2011

Soberba!



Fierj - Federação Israelita do Estado do RJ - ignora o tombamento do Cemitério Israelita de Inhaúma, decretado pela Prefeitura do Rio, e continua afirmando que fará ali novos sepultamentos!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

''Polacas'' do Rio ganham nome em cemitério

A porta está trancada, o repórter toca a campainha e é recebido pela funcionária que cuida da limpeza do Cemitério Israelita de Inhaúma, na zona norte do Rio. "É muito difícil vir alguém aqui", ela comenta. "Não é igual a um cemitério comum. Ninguém visita as polacas." Fundado em 1916 por imigrantes polonesas marginalizadas por serem prostitutas, o local abriga cerca de 800 túmulos. Após décadas de deterioração e esquecimento, as sepulturas começaram a ser reformadas no ano passado. Segundo o presidente do Cemitério Comunal Israelita do Caju, Jayme Salomão, que também administra o de Inhaúma, 95% dos túmulos já estão identificados. Além da pintura, eles receberam placa branca de mármore com estrela de Davi no centro, o nome de quem está ali sepultado, a data do óbito e o número que representa na cronologia do cemitério.
Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE
Inhaúma. 95% dos túmulos já estão identificados no local, que foi tombado pela prefeitura carioca em outubro do ano passado
Não houve divulgação. A iniciativa ocorre 15 anos após a polêmica suscitada pela publicação do livro Baile de máscaras: mulheres judias e prostituição. As polacas e suas associações de ajuda mútua (Editora Imago), fruto de dissertação de mestrado da historiadora Beatriz Kushnir, atual diretora do Arquivo Geral da Cidade.
Segundo ela, em 27 de outubro o prefeito Eduardo Paes assinou decreto determinando tombamento definitivo do cemitério. Segundo o documento, "quaisquer intervenções físicas deverão ser previamente aprovadas pelo Conselho de Proteção do Patrimônio Cultural". Nas justificativas do decreto, o local é considerado "marco particular no âmbito dos campos santos da cidade por ter sido criado por mulheres que, em um ambiente hostil, se uniram para garantir sua sobrevivência". Um dos objetivos da decisão foi justamente "garantir a essas mulheres uma memória que não as condene eternamente".
Salomão atribui a demora ao "trabalho minucioso" para levantar os nomes e diz que foram gastos R$ 300 mil na reforma. Agora, ele pretende investir "mais R$ 1 milhão" em um polêmico "projeto de revitalização". Para isso, vai pedir à prefeitura a reativação do cemitério. O objetivo é que a eventual venda de novos túmulos gere receita para bancar a manutenção. Cerca de metade do terreno está livre, avalia.
Salomão insiste na ideia - criticada por Beatriz - de separar os túmulos das polacas por "cerca viva". "É para preservar a história do passado sem chocar. Se juntar tudo, quem for ao cemitério não vai entender nada." Segundo ele, a cerca receberia plantas de 30 a 50 centímetros. Seria uma forma de atender à ala judaica mais ortodoxa, que defende enterro de prostitutas e suicidas junto ao muro de cemitérios. Salomão nega. Segundo ele, a ideia é "criar um museu vivo". "Hoje, aquilo fica fechado o ano inteiro. Queremos que os túmulos sejam visitados. É um lugar sagrado. O objetivo é preservar."
Sítio histórico. Para Beatriz, trata-se de tentativa de "expurgo" da memória dessas mulheres. "Eles podem fazer tudo o que for necessário apenas para manter como sítio histórico. Não podem fazer mais nada para enterrar outras pessoas." Localizado na Rua Piragibe, 99, o cemitério fica colado na Favela do Rato Molhado. "Tem milícia ali. Tirando eu, duvido que outro judeu queira ser enterrado lá", diz Beatriz.
Vice-presidente da Federação Israelita do Estado até novembro e presidente da sinagoga Beyruthense, Salomão reconhece que há preconceito entre representantes da comunidade judaica, mas afirma que não há respaldo institucional para isso. "Pode ser que algumas pessoas, sim, mas eu acredito que não exista preconceito. Se existisse, não falaríamos em reativação do cemitério. A ideia da revitalização é dar continuidade."
A historiadora defende arborização e preservação do local como está. Para ela, a reforma foi uma vitória. "Mas fico com pena de não ter sido como em São Paulo (veja abaixo), onde a comunidade judaica foi muito participativa, não se fez nada às escondidas, houve inauguração das lápides. Aqui tem muito mais caráter de imposição por circunstâncias do que vontade própria."
O livro de Beatriz contabiliza 797 sepulturas. Na ocasião - a dissertação foi defendida em 1994 e o livro, lançado dois anos depois -, ela localizou duas descendentes de polacas. "Muitos não sabem ou preferem não se meter nisso", conta. Segundo a Federação, foram localizadas 807 durante a reforma. Criado a partir de um modelo associativo, o cemitério de Inhaúma abriga corpos de mulheres, homens e crianças. "Não é porque foram prostitutas que elas não eram casadas. E não necessariamente o marido era cafetão; elas também eram cafetinas (donas de prostíbulos)", explica Beatriz. 



Flávia Tavares - O Estado de S.Paulo
As polacas foram numerosas em São Paulo. Seus corpos eram enterrados no Cemitério Israelita de Santana, o Chora Menino, desapropriado na década de 1970. Os restos mortais foram então levados para o Cemitério Israelita do Butantã. Os corpos lá ficaram, separados dos demais, sob lápides sem identificação. Em 2000, a Sociedade Cemitério Israelita de São Paulo colocou nomes nas lápides, em cerimônia comandada pelo rabino Henry Sobel. Ele também liderou movimento para que a história das polacas fosse ensinada aos jovens judeus. Parte da comunidade considera hoje que elas foram enganadas ao vir para o Brasil com promessa de vida melhor - a prostituição foi o último recurso. 


sexta-feira, 22 de abril de 2011

Jornal do Brasil - País - Um século depois de morrer, prostitutas polonesas fazem valer seus direitos

http://www.jb.com.br/pais/noticias/2011/04/13/um-seculo-depois-de-morrer-prostitutas-polonesas-fazem-valer-seus-direitos/

Jorge Lourenço
Prostitutas judias vencem queda de braço póstuma 
pelo reconhecimento após cem anos de exclusão no 
cemitério israelita de Inhaúma





Dia 10 de outubro de 1906. Rejeitadas pela comunidade judaica por terem se tornado prostitutas, e sem direito nem mesmo a um funeral tradicional de sua religião, as imigrantes polonesas fundam uma das primeiras associações filantrópicas feministas das quais se tem registro no Brasil: o Cemitério Israelita de Inhaúma, destino final das mulheres marginalizadas pela comunidade judaica.
Depois de mais de 100 anos de esquecimento, e de uma tentativa frustrada da Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj) de tomar para si o espaço de Inhaúma, segregando-as mais uma vez, elas finalmente conquistaram seus direitos. Sem alarde, a Fierj está reformando os túmulos e colocando os nomes nas sepulturas do cemitério, que ficou abandonado por décadas. 
– O que a Federação Israelita queria, a princípio, era colocar uma cerca-viva para isolar as prostitutas e enterrar seus mortos ali – conta Beatriz Kushnir, diretora do Arquivo Geral do Rio de Janeiro. – Com o tombamento do cemitério, no ano passado, conseguimos impedir que eles destinassem aquelas mulheres ao esquecimento. Finalmente reconheceram este cemitério e estão reformado o lugar, mas bem na surdina.


Tombamento prejudica reforma do cemitério
A razão pela qual a Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj) decidiu tentar incorporar Inhaúma aos seus cemitérios é simples: as regras estritas para enterrar judeus. De acordo com os preceitos da religião judaica, apenas uma pessoa pode ser enterrada por túmulo. Por problemas de espaço, a regra foi flexibilizada para apenas três por túmulo. Mesmo assim, a rápida lotação dos cemitérios judeus é um dos grandes problemas enfrentados pela instituição.
– É verdade que consideramos a possibilidade de fazer novas sepulturas em Inhaúma. Há muito espaço vazio lá – admite o Presidente do Cemitério Comunal Israelita do Caju, Jayme Salim Salomão. – Mas nós nunca pensamos em fazer uma cerca para separar as prostitutas, como diz a Beatriz Kushnir. O que desejávamos, era separar uma parte do cemitério para criar um museu vivo.
Administrado pela Federação Israelita, o Cemitério de Inhaúma foi tombado logo que a comunidade judaica começou a considerar a possibilidade de enterrar seus mortos ali.
– Não acho que seria justo com a memória das prostitutas polonesas permitir que outras pessoas sejam enterradas aqui – alega Beatriz Kushnir. Autora do livro “Baile de Máscaras”, que conta a história das meretrizes judias. 
– Elas adquiriram aquele terreno por conta própria, após serem completamente abandonadas.
Apesar da suposta conquista, Jayme Salim Salomão acredita que o tombamento prejudica as próprias prostitutas.
– Tomamos a iniciativa de pintar as sepulturas e colocar nomes dos túmulos apagados, mas não podemos ir além – lamenta.
– Como o local está tombado, não podemos fazer grandes reformas. Quem perde é o cemitério. Antes, aquele lugar estava destruído. Como fica bem ao lado da Favela do Alemão, as pessoas pulavam o muro para roubar ornamentos dos túmulos.


“A Fierj é
retrógrada e
autoritária”,
diz Beatriz


Segregadas quando chegaram ao Brasil, no final do século XIX, tanto por serem judias quanto por serem prostitutas, as polacas tiveram forte impacto sobre a cultura carioca. A famosa Vila Mimosa, área tradicional de meretrício da cidade, foi fundada por elas.
A história, no entanto, não é exclusividade do Rio de Janeiro. Casos semelhantes de prostitutas judias que se uniram para conseguir um enterro digno se repetem no mundo inteiro. A diferença, explica Beatriz Kushnir, é que as demais comunidades judaicas abraçaram a causa das prostitutas.
– A Federação Israelita do Rio de Janeiro é retrógrada e autoritária. Eles estão fazendo a restauração sem alarde justamente porque não aceitam as prostitutas como parte da comunidade – garante a historiadora.
– Em São Paulo, por exemplo, a federação israelita fez comemorações quando incorporou o cemitério das prostitutas de lá. A comunidade judaica realmente compareceu à comemoração, visitou os túmulos. Tudo muito bonito. Aqui, tudo é feito às escuras. O Rio não abraçou a causa das polacas.
Para Beatriz, o tombamento não aconteceu apenas para impedir que outras pessoas fossem sepultadas no local, cujo último enterro foi no começo da década de 70. 


Fazem parte do
807 Cemitério de
sepulturas Inhaúma, 
pivô da
polêmica

– Aquele lugar representa a luta de mulheres que se uniram contra a opressão no começo do século passado, bem antes das primeiras manifestações feministas – ressalta a historiadora.
– É uma história que não pode ser esquecida pela cidade.


Alternativa

Sem poder enterrar seus moros em Inhaúma, a Federação Isaelita do Rio de Janeiro já busca outras opções para driblar a superlotação dos seus cemitérios. Segundo Jayme Salim Salomão, um terreno anexo ao Cemitério do Caju deve ser incorporado em breve.
– Estamos arrumando os úlimos detalhes para comprar este novo terreno, que deve resolver o problema da falta de espaço por algum tempo.
Entusiasta da reforma em Inhaúma, o dirigente da Fierj não crê que a comunidade judaica tenha alguma dívida com as polacas e não vê verdade nas acusações de Beatriz.
– Acho que não existe dívida com elas, como dizem. Será que não deveria ser o inverso, já que agora estamos ajudando-as?